
Fotografia por Pedro Moreira
O olhar de um ilhéu sobre um planeta chamado Terra


O aumento de concentração de gases na atmosfera, devido ao Efeito de Estuda, poderá provocar danos maiores do que os esperados, de acordo com um relatório agora publicado. O mesmo relatório acrescenta que o nível da água do mar poderá subir cerca de sete metros.
Fonte e Fotografia por Associated Press
O clima da Terra está a mudar. Uma verdade que ninguém contesta. No entanto, é difícil para nós, leigos nestas matérias, perceber qual o sentido desta mudança. Durante anos pensámos que a temperatura média global da Terra estava a subir. Esta subida devia-se à concentração de gases na atmosfera, o chamado Efeito de Estufa. Nós, açoreanos, ficámos todos satisfeitos. Era agora que nos íamos transformar em ilhas tropicais. Era agora que íamos receber turistas endinheirados vindos de todo o mundo. Estávamos muito felizes por nos transformarmos em Caraíbas ou em outras ilhas semelhantes às do Pacífico e Índico onde os governantes são ricos e as populações miseráveis. Que felizes nós estaríamos! No entanto, nevou em Lisboa e em Évora e esteve muito frio na Região (8/9º). Afinal, isto está a aquecer ou a arrefecer? Não se sabe bem. O Relatório que introduz este texto refere que a temperatura está a aumentar. Com este aumento, o gelo dos pólos e as neves perpétuas irão derreter. Com toda esta 'nova' água líquida, o nível médio do mar irá subir cerca de sete metros. As consequências são imprevisíveis. As Maldivas desaparecem, as Seycheles desaparecem, grande parte das ilhas do Pacífico desaparecem, Veneza desaparece. E não só... As praias portuguesas, já eram, e Lisboa transforma-se na Veneza do Atlântico. Menos mal... E nós? De acordo com o mesmo Relatório, a corrente do Golfo está alterar-se. Aquilo que nós tínhamos de melhor para oferecer aos turistas banhistas, vai-se embora. Sem sol, sem praia, sem água quente... Vamo-nos virar para terra. Para as touradas, para as procissões, para o património e para o golfe de nevoeiro. E se a temperatura baixar? Ontem ouvi alguém na RTP dizer que a temperatura da Terra está a baixar, que estamos a entrar numa nova era glaciar. Só não entrámos porque o Efeito de Estufa está a retardar o processo. De acordo com o mesmo especialista, é previsível que o próximo Inverno seja tão frio como este. Em que é que ficamos? Será que os responsáveis pelo turismo da Região, ouvindo declarações como estas, vão começar a promover desportos de Inverno nos Açores? Não me admirava nada. Com a sensibilidade que têm para estas questões, talvez entregassem à Terceira esta responsabilidade. Já que a ilha não tem turistas, já que as autoridades regionais tudo fazem para não ter, já que os representantes locais nada fazem para ter, ao menos ficávamos com a neve...





Era uma vez uma princesa que vivia num belo apartamento duplex numa cidade distante. A princesa vivia feliz por ser princesa. Vida fácil sem necessidades. O dinheiro não lhe faltava. Tinha um bom carro e vestia primorosamente. Era bela, muito bela. Os homens faziam bicha à entrada do prédio. A porteira inventava mil e uma desculpas para que eles desistissem do seu intento. Com uns conseguia, com outros nem por isso. Com outros ainda conseguia tirar alguma vantagem material. Dava sempre jeito uns dinheirinhos a mais. O marido… Não tinha marido. Tinha filha que gastava o que havia e o que não havia. A princesa vivia radiosa naquele seu apartamento. Saía com frequência para ir às compras, visitar as outras princesas suas amigas, ir ao cinema, ao teatro, enfim, gostava de viver. Andava sempre com a sua tiara de diamantes na sua nobre cabeça. Nunca a tirava, excepto para dormir. E enquanto dormia, a tiara repousava na mesa-de-cabeceira ao seu lado. Era vê-la de tiara em todo o lado: na rua, na praia, no cinema, no teatro, nas compras, em todo o lado. A princesa adorava a sua tiara. Tinha-lhe sido oferecida pela sua avó que também era princesa e lhe disse: nunca deixes a tua tiara. Palavras sábias estas da avó princesa. Um dia, a alegre, bonita e divertida princesa conheceu um alquimista. Ficou fascinada por ele. Este alquimista procurava encontrar explicações para o mundo. As suas fantasias levaram a princesa a apaixonar-se por ele. O alquimista deu a conhecer à princesa um universo que ela desconhecia. A princesa viveu intensamente este romance. Estava ainda mais feliz do que era. Aquele mundo novo era tudo para ela. O alquimista era amigo dela. Deu-lhe tudo o que ela precisava. Satisfez-lhe todos os seus desejos. Era a harmonia entre dois amantes. Um dia, sem se aperceber como, reparou que algo tinha mudado. Não conseguiu perceber o quê. Começou a andar desorientada. Sentia-se feliz, porém, desorientada. Certa vez olhou-se ao espelho. Há muito tempo que não olhava para o seu real espelho. Há muito tempo que não conversava com a sua amiga princesa que estava do outro lado. Como era possível isso acontecer se todos os dias olhava o espelho. Nesse dia procurou a princesa do outro lado. Ela não estava lá. Quem lá estava era uma rapariga que parecia ser ela, mas não era ela. A rapariga que estava do outro lado podia também ser uma princesa. Se ao menos tivesse a sua tiara como ela… Foi então que a princesa, que agora não era princesa, reparou que já não tinha tiara. Olhou para cima da mesa-de-cabeceira e ela lá estava, a sua tiara de princesa. Aproximou-se dela. Estava cheia de pó e de teias de aranha. A tiara estava ali esquecida há muito tempo. A princesa já não tinha o mesmo semblante. Estava triste. Andou todo este tempo a pensar que era uma princesa alegre e feliz com a sua tiara de diamantes, mas afinal não o era. Era uma rapariga triste. Bem diferente daquela que saía com as outras amigas princesas, que ia às compras, ao cinema e ao teatro.
A princesa fechou-se em casa e chorou compulsivamente. A porteira estranhou não a ver sair. Subiu até ao apartamento duplex. Bateu à porta. Entrou. Falou com ela. Não era uma princesa como ela, mas deu-lhe preciosos conselhos. A porteira calçou umas luvas e foi buscar a tiara. Não a limpou. Não sacudiu o pó. Não tirou as teias de aranha. Levou-o à princesa para ela o fazer. Só uma princesa pode limpar a sua tiara.
Fotografia por Cláudio Márcio Lopes

Billy Joel actua num concerto em Madison Square Garden, Nova Iorque. Joel já esgotou onze concertos neste palco, batendo, assim, o recorde de Bruce Springsteen, de dez concertos.
Fotografia de Washington Post
Com um mercado, público, daquela dimensão é possível feitos como este(s). Nós, Portugal, com dez milhões de habitantes, nós, Açores, com duzentos e cinquenta mil habitantes e nós, Terceira, com pouco mais de cinquenta mil, não podemos esperar fenómenos como este(s). Devemos, contudo, procurar dar às nossas populações o melhor que existe em termos culturais nas diversas áreas, sabendo, no entanto, que não teremos, jamais, tais enchentes. Devemos, por isso, apostar na qualidade, na formação e na sensibilização de eventuais patrocinadores/mecenas que apoiem as actividades culturais. Estes apoios não deverão, todavia, servir para alimentar egos, mediocridade e apoio por apoio, isto é, servir para dizer que se apoia a cultura sem a preocupação de se apoiar qualidade.








Estes pequenos seres fantásticos, segundo a tradição, habitam o seio da Terra, guardando tesouros. Como se vê, nascem na Alemanha e daí se espalham pelo mundo. Ora, basta olhar para o mapa da Europa e logo se percebe que estas criaturas de perna curta não gostam de andar muito e, mais do que o seio quente da Terra, têm especial predilecção pelo frio. Ficam-se pelo centro da Europa, ou viajam até ao norte.
Será que alguém lhes disse que nas terras do sul há sol, praia, boa comida e um povo que os receberá de braços abertos e adora tudo o que vem de fora?



Este é o trabalho minucioso e de paciência que é levado a cabo pelos chineses imigrados na Malásia para que a sua cultura e as suas tradições não se percam no país de acolhimento. Não sei se esta atitude é apoiada, ou não, pelo governo da Malásia. O que sei, é que o mesmo governo permite estas manifestações e abre espaço para que as minorias possam vivê-las.
A propósito, alguém sabe que horas são em Kuala Lumpur?


Olhámo-nos um dia,
E cada um de nós sonhou que achara
O par que a alma e a cara lhe pedia.
– E cada um de nós sonhou que o achara...
E entre nós dois
Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,
... Se deu, e se dará continuamente:
Na palma da tua mão,
Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.
– Meu nome é Adão...
E em que furor sagrado
Os nossos corpos nus e desejosos
Como serpentes brancas se enroscaram,
Tentando ser um só!
Ó beijos angustiados e raivosos
Que as nossas pobres bocas se atiraram
Sobre um leito de terra, cinza e pó!
Ó abraços que os braços apertaram,
Dedos que se misturaram!
Ó ânsia que sofreste, ó ânsia que sofri,
Sede que nada mata, ânsia sem fim!
– Tu de entrar em mim,
Eu de entrar em ti.
Assim toda te deste,
E assim todo me dei:
Sobre o teu longo corpo agonizante,
Meu inferno celeste,
Cem vezes morri, prostrado...
Cem vezes ressuscitei
Para uma dor mais vibrante
E um prazer mais torturado.
E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
Às linhas fortes do meu,
Os nossos olhos muito perto, imensos,
No desespero desse abraço mudo,
Confessaram-se tudo!...
Enquanto nós pairávamos, suspensos
Entre a terra e o céu.
Assim as almas se entregaram,
Como os corpos se tinham entregado,
Assim duas metades se amoldaram
Ante as barbas, que tremeram,
Do velho Pai desprezado!
E assim Eva e Adão se conheceram:
Tu conheceste a força dos meus pulsos,
A miséria do meu ser,
Os recantos da minha humanidade,
A grandeza do meu amor cruel,
Os veios de oiro que o meu barro trouxe...
Eu, os teus nervos convulsos,
O teu poder,
A tua fragilidade
Os sinais da tua pele,
O gosto do teu sangue doce...
Depois...
Depois o quê, amor? Depois, mais nada,
– Que Jeová não sabe perdoar!
O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada...
Continuamos a ser dois,
E nunca nos pudemos penetrar!
Poema de José Régio
Fotografia de Jean Jacques André




Pelo colorido da fotografia poder-se-ia dizer que ali se respira ar fresco e perfumado mas, afinal, não passa de mais um ambiente artificial criado para iludir os mais incautos.
O que consegue fazer um bom cenário...
